Há tendência para agrupamento segmental em classes naturais no balbucio e nas palavras iniciais?

  • Maria de Fátima de Almeida Baia Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Palavras-chave: balbucio, palavras iniciais, Sistemas Adaptativos Complexos

Resumo

Este estudo segue a perspectiva dos Sistemas Adaptativos Complexos e investiga se há evidências na aquisição do português brasileiro (doravante PB) para combinações preferenciais de CV no balbucio e nas produções iniciais como MacNeilage, Davis et al. propõem. Os autores observam em dados de crianças adquirindo diferentes línguas ocorrências de três padrões combinatórios preferenciais em sílaba CV: consoantes coronais produzidas com vogais anteriores, consoantes dorsais produzidas com vogais posteriores, e consoantes labiais com vogais centrais. Essas combinações segmentais compartilham posições no trato vocal e são compatíveis com as classes naturais propostas por Clements e Hume no modelo unificado de traços, no qual vogais e consoantes podem ser classificadas como labiais, dorsais e coronais. Embora este estudo não siga uma perspectiva inatista, o uso de classes naturais na análise não é contraditório, pois assim como há proposta inatista, há proposta emergentista para o fenômeno, segundo a qual os padrões comuns fônicos seriam resultados de mudanças históricas. Após análise de dados longitudinais de um estudo de caso, concluímos que os dados de balbucio e iniciais do PB não sustentam a hipótese de que as combinações iniciais seriam de segmentos de uma mesma classe natural.

Publicado
2016-12-30
Como Citar
BAIA, M. DE F. Há tendência para agrupamento segmental em classes naturais no balbucio e nas palavras iniciais?. Gradus - Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório, v. 1, n. 1, p. 43-66, 30 dez. 2016.
Seção
Artigos