Os efeitos das relações fonológicas sobre a percepção das fricativas sibilantes não-vozeadas do português brasileiro

  • Ana Paula Correa da Silva Biasibetti
Palavras-chave: fricativas sibilantes não-vozeadas, relações fonológicas, percepção

Resumo

Este artigo investiga os efeitos das relações fonológicas sobre a percepção das fricativas sibilantes não-vozeadas [s] e [ʃ] em ataque e coda silábica na variedade de português brasileiro falada em Florianópolis/SC. Em consonância com Boomershine et al., espera-se que as relações de contraste e de não-contraste afetem a percepção das fricativas alveolar e palato-alveolar de modo que as referidas categorias fonéticas sejam percebidas como relativamente mais distintas em ataque silábico (relação fonêmica) do que em coda (relação alofônica). A fim de verificar tal hipótese, testes de classificação por similaridade (processamento linguístico) e de discriminação acelerada (processamento psicoacústico) foram aplicados entre 30 falantes/ouvintes florianopolitanos. Os resultados obtidos pelo teste de processamento linguístico sugerem que as relações fonológicas de fato interferem na percepção das fricativas sibilantes pelos falantes/ouvintes florianopolitanos, pois as fricativas alveolar e palato-alveolar foram percebidas como mais distintas em ataque do que em coda. Por outro lado, os resultados do teste de processamento psicoacústico apontaram resultados opostos, a saber, as fricativas sibilantes se mostraram perceptualmente mais distintas em coda do que em ataque. Os resultados divergentes obtidos pelos dois testes indicam que as relações fonológicas não necessariamente condicionam a percepção das fricativas sibilantes em português. Por fim, argumenta-se que a percepção das fricativas sibilantes se dá em termos de sílabas FV (fricativa–vogal) e VF (vogal-fricativa) e que ocorre em estágios distintos de processamento tal como previsto pela Teoria Lógica-Difusa de percepção da fala.

Publicado
2018-12-31
Como Citar
BIASIBETTI, A. P. Os efeitos das relações fonológicas sobre a percepção das fricativas sibilantes não-vozeadas do português brasileiro. Gradus - Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório, v. 3, n. 2, p. 32-47, 31 dez. 2018.
Seção
Artigos