A percepção da vogal /a/ do espanhol, em contextos nasais, por brasileiros

  • Luciene Bassols Brisolara Universidade Federal do Rio Grande
  • Carmen Lúcia Barreto Matzenauer Universidade Católica de Pelotas
Palavras-chave: percepção, aquisição de língua estrangeira, Modelo de Aprendizagem de Fala

Resumo

Este estudo propõe-se investigar a percepção da vogal /a/ do espanhol, em contextos nasais, por falantes nativos de português brasileiro (PB), estudantes do Curso de Licenciatura em Letras Português-Espanhol de uma universidade do sul do Brasil. Considerando que, no PB, a nasalização fonética é recorrente e atinge mais contextos do que no espanhol, buscamos verificar se os estudantes conseguem perceber quando a vogal /a/ no espanhol é produzida como oral ou nasal, ou se, por influência do português, têm a percepção de nasalidade mesmo em contextos não nasalizados, segundo a literatura, no espanhol. O corpus para a realização da pesquisa foi constituído de uma amostra de quinze estudantes do primeiro semestre do Curso de Letras, com idade entre 18 e 30 anos. Os estudantes foram submetidos a quatro testes de percepção – três de discriminação e um de identificação –, que foram criados no software TP, especificamente para o presente estudo.  A análise do processo de percepção da vogal /a/, em contextos nasais, foi feita com base nos pressupostos do Modelo de Aprendizagem de fala (SLM), incluindo também tratamento estatístico dos resultados. Os dados apontaram melhores resultados nos testes de discriminação do que no teste de identificação, o que foi atribuído ao tipo de processamento por cada um exigido, e a dificuldade de percepção da vogal nasalizada no espanhol foi entendida como decorrente da proximidade fonética entre a L1 e a L2, fazendo resultar a percepção de uma categoria já existente na sua L1, especialmente por ser alofônica a nasalidade vocálica na L2.

Publicado
2018-08-05
Seção
Artigos