Estrutura silábica e percepção de acento lexical

Autores

  • Vera Pacheco Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Cíntia Beatriz Oliveira do Nascimento Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Marian Oliveira Universidade Estadual do Sudoeste de Bahia

DOI:

https://doi.org/10.47627/gradus.v6i2.173

Palavras-chave:

acento lexical; peso silábico; percepção.

Resumo

Neste artigo, nós investigamos a percepção do acento lexical em condições experimentais em que o estímulo sonoro não possui os parâmetros acústicos da tonicidade. A partir dos resultados obtidos através de um teste de percepção aplicado a 20 juízes, nós buscamos responder às seguintes perguntas: (i) qual é o padrão, ou quais são os padrões de tonicidade percebidos pelo ouvinte quando o sinal acústico é desprovido de parâmetros acústicos de tonicidade? (ii) que motivação / motivações estariam subjacentes aos padrões percebidos por eles? Nossos resultados confirmam a nossa hipótese e evidenciam que a percepção da tonicidade silábica é motivada pelo ritmo linguístico, estrutura silábica e pelo padrão de atribuição do acento lexical, que funcionam como fatores de adaptação seletiva. Adicionalmente, defendemos que o padrão preferencial do PB por palavra paroxítona é o reflexo da relação entre estrutura silábica e regra de atribuição de acento lexical do PB.

Biografia do Autor

Cíntia Beatriz Oliveira do Nascimento, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

em experiência na área de Linguística, com ênfase em Fonética e Fonologia. Mestrado em Linguística em andamento.

Marian Oliveira, Universidade Estadual do Sudoeste de Bahia

Possui Doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2011), área de concentração Fonética e Fonologia, com pesquisa que relaciona síndrome de Down e produção vocálica. É Mestre em Letras e Lingüística pela Universidade Federal da Bahia (2005), área de concentração Sociolinguística. Fez graduação em Letras com Português e Inglês e respectivas Literaturas, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB (2001). Atualmente é professora Adjunto da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, docente do Programa de Pós-graduação em Linguística PPGLin (CAPES-UESB) e do ProfLetras-UESB. Coordena projetos de pesquisa sobre o sistema fonético-fonológico de pessoas com síndrome de Down. Também atua na coordenação do Projeto de Extensão Saber Down Núcleo de Pesquisas e Estudos em em Síndrome de Down. Neste projeto visa-se trabalhar eventuais problemas de fala, leitura, escrita e de abstração matemática apresentados por pessoas com síndrome de Down. A professora tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Teoria e Análise Lingüística, atuando principalmente nos seguintes temas: síndrome de Down, acústica, vogais, variação e concordância. Atualmente é líder do Grupo de Pesquisas e Estudos em Síndrome de Down-Saber Down (CNPq-UESB) e membro do Grupo de Pesquisa em Estudos da Língua(gem) -GPEL (CNPq-UESB), PROBRAVO (CNPq). O Grupo de Pesquisa Saber Down (CNPq-UESB) abrigará pesquisas em aquisição de linguagem e da escrita e pesquisas para descrição do sistema fonológico de pessoas com síndrome de Down.

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Publicado

2021-12-31

Como Citar

PACHECO, V.; OLIVEIRA DO NASCIMENTO, C. B.; OLIVEIRA, M. Estrutura silábica e percepção de acento lexical. Gradus - Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório, Curitiba, v. 6, n. 2, 2021. DOI: 10.47627/gradus.v6i2.173. Disponível em: https://gradusjournal.com/index.php/gradus/article/view/173. Acesso em: 22 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos