Normalização de frequência de formantes e análise com dados brutos na visão de língua como um Sistema Adaptativo Complexo

  • Maria Lucia de Castro Gomes UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Palavras-chave: aquisição de L2, bilinguismo, análise acústica, normalização de formantes, Sistema Adaptativo Complexo, fonética forense

Resumo

Este artigo, partindo de uma visão de língua como um Sistema Adaptativo Complexo (SAC), apresenta dados de dois experimentos inseridos em uma pesquisa que pretende descrever os ditongos [aI] e [eI] em palavras na língua inglesa e na língua portuguesa, por falantes bilíngues brasileiros e americanos. O primeiro experimento, já descrito em detalhes em outro texto (???), tratou do ditongo [aI] nas palavras pai/pie, pais/pies, sai/sigh, sais/sighs, com análise de medidas de duração e de F2 no início e no final do ditongo. Nas medidas do segundo formante, houve diferença significativa apenas no F2 inicial do ditongo do português entre os dois grupos de participantes. Como os valores dos formantes foram normalizados, suspeitou-se que esse processo pudesse ter encoberto diferenças importantes entre as produções dos dois grupos de falantes, e entre as palavras produzidas nas duas línguas por cada grupo. Tais suspeitas motivaram o segundo experimento, que se dedicou a análise de gráficos de plotagem de F1 e F2 dos dados brutos dos dois grupos, com a produção das palavras pai/pie. Os gráficos demonstraram que há diferenças entre as produções de L1 e L2, principalmente nos formantes no início do ditongo, sugerindo uma desestabilização do sistema na L2, com maior evidência nas produções dos brasileiros. Esse resultado, que vai ao encontro dos pressupostos de SAC, motivou uma discussão sobre a validade da normalização dos formantes em pesquisas nessa perspectiva.

Publicado
2018-08-05
Seção
Artigos