• v. 3 n. 1 (2018)

    Esta edição da Gradus – Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório,- reúne artigos resultantes de trabalhos apresentados no Encontro Intermediário do Grupo de Trabalho de Fonética e Fonologia da Anpoll, que ocorreu em agosto de 2017 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

  • v. 2 n. 1 (2017)

    Com grande satisfação, apresentamos aos leitores o volume 1/2017 da Gradus -- Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório.

    Este volume conta com três artigos. O primeiro, "Tentativa de Disposição de Registros Entoacionais num Eixo Horizontal Organizado pela Tensão Entoacional", de autoria de Waldemar Ferreira Neto, Daniel Oliveira Peres, Marcus Vinícius Moreira Martins e Maressa de Freitas Vieira, trata da expressão da emoção na entoação do português brasileiro. Partindo de dados de fala coletados na internet, o estudo busca averiguar como se manifestam curvas entoacionais do discurso emocional, comparando produções de indivíduos do gênero masculino e produções de indivíduos do gênero feminino. A finalidade última do estudo é buscar parâmetros confiáveis que possam orientar a análise automática da expressão da emoção no português brasileiro.

    Para verificar como as curvas entoacionais são produzidas, o estudo considera as categorias 'colérico', 'neutro', 'triste' e 'simulacros de entoação neutra', associadas a parâmetros acústicos como frequência fundamental (f0) e duração. Estes parâmetros acústicos foram extraídos automaticamente através de software específico para esse fim.

    Os resultados obtidos apontam para a diferença entre os gêneros, no tocante aos graus de tensão envolvidos na produção dos enunciados, que se revela num ordenamento distinto das categorias estabelecidas para análise, segundo o gênero dos participantes do estudo. A partir desses resultados, os autores chegam à conclusão de que a tensão no discurso emocional pode ser um parâmetro confiável para a análise automática da expressão da emoção no português brasileiro.

    O segundo artigo, "Efeitos do início da aquisição na consciência fonológica da Libras em crianças e adolescentes surdos", de autoria de Carina Rebello Cruz, Ingrid Finger e Ana Beatriz Arêas da Luz Fontes, verificou o nível de consciência fonológica na Libras em indivíduos na faixa etária compreendida entre 9 e 14 anos. Todos os indivíduos eram bilíngues Libras/Português brasileiro.

    Os participantes do estudo foram submetidos a um teste de avaliação da consciência fonológica de Libras que visava a averiguar a hipótese de que uma exposição precoce à Libras tem efeito positivo sobre o desenvolvimento da consciência fonológica. Para testar essa hipótese, tais participantes foram divididos em dois grupos: um grupo que teve início à exposição à Libras entre 0 e 4 anos -- e que, portanto, tem Libras como sua L1 - e um grupo que teve início tardio à exposição à Libras, i.e., após 4 anos de idade.

    O teste para avaliação da consciência fonológica de Libras toma como parâmetros configuração de mão, locação/ponto de articulação e movimento. Os resultados obtidos revelam efeitos positivos da aquisição precoce sobre a consciência fonológica de Libras e confirmam, portanto, a hipótese do estudo em tela. Além disso, chamam a atenção para a necessidade de as crianças serem expostas à Libras o mais cedo possível, o que, segundo as autoras, impediria a instalação de atraso linguístico.

    Cabe mencionar que estudos sobre Libras foram publicados nos dois volumes vigentes da Gradus. Este fato é sintomático do aumento de estudos em linguística de Libras e, ao mesmo tempo, aponta para a importância de investigarmos as línguas de sinais, como subsídios para até mesmo testarmos os modelos de análise linguística disponíveis.

    O terceiro artigo, "Percepção fônica de línguas não nativas no arcabouço da cognição e do realismo indireto: complementaridade entre aspectos cognitivos e filosóficos a partir do PAM-L2", de Reiner Vinicius Perozzo, não traz um aporte laboratorial. Ainda assim, consideramos o estudo crucial para os estudos em percepção de fala, pois nem na linguística, nem na psicologia - campo do qual a linguística se aproxima, para tentar compreender o funcionamento da percepção da fala - há uma definição para "percepção de fala". Além disso, entendemos que as considerações teóricas estabelecidas no artigo deverão ter impacto no estabelecimento e redirecionamento de metodologias laboratoriais referentes à percepção. Os trabalhos seminais sobre percepção de fala na linguística, como os de Carol Fowler, por exemplo, valem-se de estudos sobre percepção visual na psicologia. Isto porque nem mesmo na psicologia há uma tradição de estudos sobre a percepção dos sons. Desta forma, o texto de Reiner Perozzo é ousado ao fornecer uma definição para percepção de fala e, ao mesmo tempo, inédito. Dado seu caráter inovador, bem como a inegável contribuição desse trabalho para os estudos de percepção, julgamos que o artigo tem grande relevância e decidimos por publicá-lo neste volume da Gradus.

    Este volume se encerra com a contribuição de Giovana Ferreira-Gonçalves, com seu artigo "Fonologia Gestual e Teoria da Otimidade", na seção "Debates". Como sabemos, a Fonologia Gestual não traz, propriamente, uma teoria da gramática, ao contrário da Teoria da Otimidade (OT). Por outro lado, o gesto articulatório, primitivo da Fonologia Gestual, pode ser empregado como um indexador de restrições advindas da Teoria da Otimidade. Desta forma, assumindo o gesto articulatório como primitivo de análise na OT, a autora discute alterações propostas ao modelo de Adamantios Gafos (2002), que visa a unir Fonologia Gestual e OT. Além disso, a autora discute também questões controversas relativas à implementação do gesto articulatório num modelo baseado em restrições.

    Seu artigo culmina com uma observação que pode mesmo ser lida como uma exortação: Ferreira-Gonçalves nota que as alterações que podem ser feitas ao modelo de Gafos (2002) seguem em passos lentos em razão especialmente do ritmo vagaroso das pesquisas em OT e em Fonologia Gestual nos últimos anos. Logo, é preciso retomar o ritmo das pesquisas para se tentar coadunar Fonologia Gestual e OT e, assim, avançar na resposta à questão: como acomodar fatos dinâmicos na gramática fônica das línguas?

    Finalmente, gostaríamos de justificar a demora na publicação deste volume, que se deveu por problemas técnicos relacionados à necessidade de se uniformizar a formatação dos textos, que nem sempre seguiam o modelo fornecido nas diretrizes para autores. Frisamos que as diretrizes não são arbitrárias; elas foram escolhidas com base em critérios técnicos, com a finalidade de agilizar o trabalho de diagramação e, por isso, é necessário segui-las.

    Esperamos que a leitura dos textos aqui contidos possa ser muito profícua aos leitores!

  • v. 1 n. 1 (2016)

    Gradus — Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório nasce com o objetivo de fomentar a interação entre os pesquisadores brasileiros e estrangeiros que têm se debruçado sobre a fonologia de laboratório. Em linhas gerais, esta vertente se define por utilizar métodos experimentais para testar hipóteses sobre o conhecimento que falantes e ouvintes têm do sistema sonoro de suas línguas maternas e de outras línguas que adquirem, bem como os princípios que norteiam o funcionamento desses sistemas. Neste sentido, a fonologia de laboratório se funda como um campo multidisciplinar, porque recorre a diferentes áreas para cumprir seus objetivos, como a psicologia ou a ciência de computação, por exemplo.

    No Brasil, o número de pesquisadores voltados à fonologia de laboratório tem crescido nas últimas décadas, mas o cenário acadêmico nacional ainda carece de um fórum que possibilite o intercâmbio mais efetivo dos trabalhos realizados na área. Apesar de haver, no Brasil, um grande número de periódicos na área de linguística ou literatura, inexistem periódicos na área dos estudos do nível sonoro das línguas. Por isso, a Gradus nasce com o intuito de preencher essa lacuna e de promover o diálogo e o intercâmbio entre pesquisadores que se voltam para o nível sonoro de línguas diversas, utilizando como arcabouço teórico-metodológico a fonologia de laboratório.

    A publicação tem periodicidade semestral e recebe trabalhos de doutores, doutorandos, mestres e mestrandos. Pelo menos um dos autores deve ter o título de doutor.

    Os trabalhos, que deverão ser originais, e poderão ser redigidos em português, inglês ou espanhol, serão submetidos a avaliação cega de dois pareceristas. Em caso de pareceres discrepantes, será solicitada a avaliação de um terceiro parecerista.